Minha esposa

Pobre de mim. A pobreza é minha esposa, e de amantes sou cheio. Aos montes, tenho um amontado delas. Espie. Espie com mais proximidade. Ponha a mão no meu peito, quero que sinta esse pobre coração mega usado. É… Só sente os bateres que ele faz. Isso é bom, sinal que ainda estou vivo.  Outra coisa esperava encontrar? É apenas um órgão, encontramos o que era de se esperar, seu bom funcionamento, sinal que ainda estou vivo. É que andam dizendo por aí, carrapatos sujos, que estou morto. Uma hora eu mesmo acho isso. Ainda não, falta muito, eu acho, sei lá, não tenho muitas certezas. Se quer saber da minha pobreza, espie mais perto. Minha alma, meu espírito, seja lá como chama. Mas vá preparado, ou preparada – perdão, me desculpe, por favor, não sei qual a sua natureza -, pois encontrará, irá poder, coisas não tão belas quanto filmes na televisão, ou aquelas histórias fantásticas. Alias, se quer ver uma coisa bonita, vá ler um livro. LEIA MAIS.

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